Vida pós-rematch e viagem para Seattle

Hoje foi um daqueles dias que só acontecem uma vez no mês, que a doida acorda no corpo de amélia turbo e sai varrendo a casa toda, banhando criança à força, lavando louça, cozinhando feijão, e mesmo depois de ficar off, resolve fazer o jantar dos hosts, sobe e desce ladeira de bicicleta por uma hora e quando volta, ainda hidrata o cabelo, faz as unhas e pensa… bem que eu podia atualizar o blog, né? Deixa eu respirar primeiro… oof. Nunca fiquei tanto tempo sem escrever aqui e não tenho sequer um post planejado, só vou tentar contar um pouco de história, resumindo o que se passou desde quando cheguei na minha nova host family.

Dias difíceis, tenho que dizer. O ambiente aqui é, digamos, consideravelmente mais louco do que na outra casa no que diz respeito a trabalho. É por isso que dizem que não existe família perfeita pra uma au pair: na outra host family, o trabalho era menos puxado, nunca tive problemas com atraso de salários, nunca tive problemas com privacidade (pelo menos após mudar para o basement); No entanto, a host era uma bruaca, o host um banana, eu trouxa, e ninguém dava a mínima para a minha existência naquela casa – nunca escutei um “muito obrigado pela sua ajuda” em todo aquele tempo, era só reclamação! Já na minha atual host family, a situação é basicamente a inversa: trabalho MUITO, salário atrasa, a casa está quase sempre virada dos avessos, e tenho pouquíssima privacidade (o banheiro não é só meu e meu quarto fica muito próximo da sala, ambiente que eles passam 95% do tempo livre deles, ou seja – tenho que me preocupar sobre o que eu vou falar no telefone, com o barulho que as crianças e o cachorro fazem, com o que eu vou comer escondido… rs). PORÉM, eles me dão amor e carinho, tudo o que uma intercambista carente precisa.

Minha host se preocupa comigo como uma mãe mesmo e meu host é um amigão. Eles são descontraídos, não tem neurose com coisa alguma, elogiam meu trabalho o tempo todo, sempre frizando o quanto me amam e o quanto gostariam que eu pudesse ficar para sempre. Cozinham pratos deliciosos e adoram quando eu cozinho também – são apaixonados por feijoada, arroz branco, arroz doce, pão de queijo, ou qualquer comida típica brasileira que eu já tenha me atrevido a preparar. Estão sempre interessados na cultura do Brasil; Me enchem de perguntas sobre o nosso país, assim como também me ensinam muito sobre a cultura americana. Meu host é Australiano e compartilha várias curiosidades sobre o seu país também – foi aqui que eu descobri que a Austrália tem muito mais semelhanças com o Brasil do que eu imaginava. Já tiveram momentos em que ficamos os três na sala, tomando vinho e assando biscoitos australianos com geléia de uva, conversando sobre a vida e dando risada… tão bom! Aqui me sinto realmente parte da família. Eles queriam que eu fizesse a extensão com eles e, como todos sabem, eu ainda estava naquela dúvida se ficava ou voltava pro Brasil. Quando eu os disse que me sentiria limitada ficando aqui por mais de um ano, pois ainda estaria trabalhando como au pair, eles ofereceram uma ajuda financeira maior para os meus estudos e para encontrar uma boa faculdade com um curso na minha área de interesse. E quando eu finalmente tomei a decisão de voltar pro Brasil, contei pra minha host e os olhos dela se encheram de lágrimas. Ela me abraçou, e disse que apesar de ser difícil, ela entendia minha decisão. Meu host ficou evidentemente magoado também, e eu disse que só esperava que isso não mudasse a nossa relação. E não mudou mesmo, pois eles nunca me trataram diferente em momento algum.

Eu amo esta família, de verdade, e sei que muitas vezes temos que suportar os “contras” associados à cada decisão que tomamos na vida. Quando me questiono se fiz a coisa certa ao ter feito este match, sempre chego à conclusão que sim. Acredito que tê-los encontrado serviu para me mostrar uma perspectiva diferente de uma família americana e seu modo criar os filhos, e também de uma forma mais leve e saudável de levar a vida, com mais entusiasmo, menos preocupações; Menos luxo, mais amor. Por outro lado, por conta do stress do ambiente nas horas de trabalho, acabou me trazendo a certeza de que já havia chegado no meu limite de trabalho com crianças e que já era hora de voltar pro Brasil. Coloquei também outras razões na balança: já estou super satisfeita com meu inglês, já conclui os cursos que eu pretendia fazer, já conheci boa parte dos lugares que planejava conhecer. Sinto que a missão intercâmbio já foi cumprida. Agora é hora de viver os dois meses que me faltam aqui (um trabalhando e outro viajando, pois todo intercambista com o visto J1 – estudo e trabalho – tem direito a 30 dias extra nos EUA para viajar após a expiração do mesmo) e fechar esta etapa MARAVILHOSA da minha vida. Pausa para secar as lágrimas… rs

Agora vamos falar das coisas realmente boas da vida de uma au pair… viagens, of course! Logo nas primeiras semanas aqui em Portland, sabendo da curta distância até Seattle, já comecei a planejar uma weekend trip pra lá. Fui de ônibus (3,5h de viagem) na sexta à tarde e voltei domingo à noite. Fiquei hosperada no Hostel Green Tortoise, o qual super recomendo; Foi a minha primeira experiência em hostel e fiquei simplesmente encantada. Não estava esperando uma recepção tão boa, um café da manhã tão completo, tampouco a privacidade que tive mesmo estando no topo de um beliche de um quarto com outras cinco meninas. Tive o meu próprio armário (esqueci o cadeado, mas GANHEI um novinho na recepção – eles custam $5, mas o recepcionista simplesmente resolveu me dar), cada cama tem uma suas próprias tomadas, luminária e uma cortininha ao redor… e até um mini ventilador particular pendurado na parede! Não que fosse necessário naquele momento, pois ainda era inverno e chegou até a NEVAR em Seattle (algo extremamente raro na cidade) mas deve ser super útil no verão, né? Haviam vários banheiros em cada andar, bem espaçosos e limpos. Wi-fi free, que não pegava no meu quarto (apenas no common room, que é uma área com cadeiras, sofás e TV, para a galera conversar e se conhecer), mas isso não foi problema pra mim, pois só ia pro quarto na hora de dormir mesmo. Enfim, adorei tudo no hostel, a qualidade superou as minhas expectativas diante do preço que paguei pelas duas noites – apenas $75. Nota DEZ!

A primeira parada que fiz quando cheguei foi na grande torre de observação que a cidade tem como maior símbolo, Space Needle. Vista panorâmica da cidade num fim de tarde, horário estratégico para fotografar a vista em diferentes perspectivas: luz do dia, por do sol e anoitecer. No dia seguinte, fui conhecer o Kerry Park, onde há a vista perfeita de Seattle e do Mount Rainier, usada como principal cartão postal da cidade. Fiz também um rock tour pela cidade, conheci os bares que Nirvana e Pearl Jam costumavam tocar (incluindo The Moore, onde gravaram o clipe de “Even Flow” do PJ, e o Re-bar, onde ocorreu a festa de release do álbum “Nevermind” do Nirvana). Conheci o Volunteer Park, onde fica a escultura “Black Hole Sun” que serviu de inspiração para Chris Cornell escrever a música de mesmo nome para a sua banda Soundgarden; Como estava relativamente perto do cemitério onde Bruce Lee está enterrado ao lado do filho Brandon, resolvi parar para ver também; Conheci bares e diferentes lugares onde o filme grunge “Singles” foi filmado; Passei pelo bairro onde Jimi Hendrix morou durante sua infância e parte de sua adolescência, a escola onde estudou, seu túmulo e memorial, e por fim a sua estátua em uma das avenidas de Seattle; Fui até à casa onde Kurt Cobain morou com Courtney Love (e onde foi encontrado morto em abril de 1994) e vi de perto o memorial bench que criaram para ele no lado externo, em que encontrei mensagens e flores dos fãs (mesmo após 20 anos); Passei pelo Linda’s Tavern, um pub no bairro de Capitol Hill, onde Kurt foi visto pela última vez antes do seu suicídio. Mais tarde, parei no EMP Museum para checar as exposições dos objetos pessoais do músico e do restante da banda e aprender um pouco mais sobre a história deles. Nas horas seguintes, caminhei pelo famoso Pike Place Market, parei na primeira Starbucks fundada no mundo (fila enorme, dispensei o café), conheci Gum Wall, outra grande marca de Seattle: uma parece cheia de chilete (disgusting, eu sei, mas interessante) e fechei a noite no Hard Rock Café (só para ver as exposições de guitarras do PJ, Foo Fighters e Alice in Chains mesmo, depois fui jantar no Subway da esquina por 7 doletas. @aupoor HAHA).

 

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Space Needle – Tarde

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Space Needle – Por do sol

 

 

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Space Needle – Anoitecer

 

 

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Vista de baixo

 

 

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Gum Wall – Parede de chiclete

 

 

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Gum Selfie 😛

 

 

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Kerry Park

 

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Guitarra, mala e camisetas do Kurt

 

 

 

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Suéteres, guitarra e disco do Kurt

 

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EMP Museum

 

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Kurt’s Memorial Bench

 

 

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Kurt’s Memorial Bench

 

 

 

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Kurt’s House

 

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Black Hole Sun – Space Needle no meio

 

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Bruce e Brandon Lee

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Túmulo Jimi Hendrix

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Memorial Jimi Hendrix

 

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Jimi Hendrix’s Statue

 

 

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Bar muito frequentado por Kurt e Andy Wood

 

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Primeira Starbucks do mundo

 

Dia seguinte, Seattle já coberta em neve, transporte público funcionando à velocidade de tartatuga, ainda me aventurei à cruzar a cidade para ver o troll de Fremont. Não consegui fazer muito mais que isso porque não teria tempo suficiente até o horário de pegar o ônibus de volta pra Portland. Mas fiz 99% das coisas que eu queria, só ficou faltando o Discovery Park, onde foi filmado o clipe de Hunger Strike, que além de ser muito distante de onde eu estava (não daria tempo), o parque fica na praia, o que significa que o frio é 150% mais congelante lá. Ficou pra próxima, então!

Essa foi a melhor trip que já fiz nos EUA até agora, sem sombra de dúvidas. Mesmo depois de ter conhecido a California não mudei de ideia. Seattle conseguiu roubar o lugar de New York City no meu coração. Quando lembro de cada detalhe da cidade, cada momento que vivi… sentimento inexplicável. Não consegui ficar chateada nem quando começou a nevar na noite de sábado! Coloquei minhas botas de neve (e quase levei dois capotes mesmo assim, só para variar), minha ultra warm jacket e saí pra “passesquiar”. Bem desconfortável, mas OK, a neve torna qualquer paisagem linda e isso é indiscutível. Por algum motivo me senti segura e feliz naquela noite, não queria voltar pra Portland nunca mais.

 

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Saturday night – Começando a nevar…

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Fremont Neighborhood

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Fremont Troll

 Pra não deixar o post longo, resolvi falar sobre a viagem pra California no próximo post, que já comecei a escrever, mas não pretendo terminar hoje porque a coragem não tá pra tanto agora… rs

Beijos e até breve!

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3 thoughts on “Vida pós-rematch e viagem para Seattle

  1. Muito esse diário de viagens… saudades minha princesa! Sugiro parágrafos mais curtos pra deixar a gente respirar! Rsrssrsrs… saudades! Beijos com amor!

    • Tem toda a razão, vacilei na questão dos parágrafos! rs Mas já dei uma arrumada. O que não gosto desta plataforma é que não consigo justificar os textos, então as palavras ficam todas jogadas. Horrível.
      Obrigada, pai! Você é um dos meus maiores motivadores a escrever aqui! Te amo. Beijos!

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