“The Dream of the 90’s is Alive in Portland…” ♫

Posso dizer que do último post pra cá, minha vida simplesmente virou do avesso e ninguém deve ter entendido bulhufas do que aconteceu comigo! Eu estava até que contente com minha (ex) host family naquele momento, ainda atormentada pela indecisão sobre extensão do programa (isso não mudou ainda) e sobre o que fazer da minha vida. Pois é, na semana seguinte voltei a ter alguns problemas com meus hosts, e simplesmente explodi, desisti, joguei pro alto, chutei o pau da barraca, broke bad, sei lá o que mais serve pra definir o que aconteceu comigo. Eu estava de saco completamente cheio de determinados comportamentos e regras. Decidi pensar mais em mim, tomei coragem, chamei o host pra conversar e disse que queria sair da casa deles o quanto antes (ainda me ofereci para ficar até acharem alguém para me “cobrir”). Dei uma chorada básica na hora de me despedir dos meus mostrinhos amados, aqueles que me deram força para ficar naquela família por nove meses, e outra chorada básica na hora de fazer as malas, claro, me questionando porque me deixei levar pelo consumismo (agora vocês podem rir dos meus posts anteriores esbanjando deslumbramento com os preços baixos dos EUA). OK, não pretendo e nem tenho espaço para explicar todos os motivos pelos quais decidi pedir rematch/troca de família, mas posso dizer que, de qualquer forma, tudo que foi vivido durante os nove meses em Connecticut está guardado em mim, entre altos e baixos, na bagagem que levarei pra minha vida com esse intercâmbio. Tudo foi experiência, aprendizado, amadurecimento e, claro, muitos momentos felizes também. Mais uma vez, arrependimento é algo que não existe mais na minha vida. Tudo valeu a pena. Now it’s time to carry on! 🙂

O meu processo de rematch durou apenas uma semana. Conversei com 11 famílias no total, de várias partes dos EUA, entre New York, North Carolina, Pennsylvania, New Jersey e Oregon. Por mais que tenha parecido loucura para muita gente, resolvi fechar com a de Oregon, do outro lado do país, porque bateu o famoso feeling pré-match de toda au pair. Achei os pais muito legais, a schedule sensacional (das 7h às 16h), com carro só pra mim e, principalmente, por não trabalhar aos fins de semana (muitas weekend trips planejadas já). Claro que eu também tinha uma puta vontade de saber como era morar na costa oeste dos EUA, entre a Califórnia e do estado de Washington, numa cidade tão excêntrica e “cheia de personalidade” como Portland, a capital de estado de Oregon. E é exatamente dela que vou falar no post de hoje!

Aqui estão as nove principais curiosidades sobre Portland que aprendi nestas duas semanas e que separei em tópicos para organizar o post e facilitar a leitura:

1. Portland “Verde”

Descobri que Portland lidera o ranking de cidade mais ecológica dos Estados Unidos, uma vez que metade do consumo de energia é gerada por usinas geotérmicas e hidrelétricas, que são fontes renováveis. O centro de Portland é interligado por um bonde GRATUITO que esquadrinha a cidade sobre trilhos. Grande parte dos trabalhadores se desloca de bicicleta (a cidade chega a ganhar prêmios de associações de ciclistas devido ao grande número de adeptos à bike) ou transporte público, independente da chuvinha fina e frequente, característica da cidade. É por isso que Portland é uma das poucas cidades norte-americanas que conseguiram reduzir suas emissões de carbono.

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Ciclo via em uma das ruas centrais de Portland, evidência da importância dos ciclistas na cidade

2. Campanha “Mantenha Portland esquisita” (Keep Portland Weird)

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É essa a mensagem de um slogan frequentemente visto nos muros ou colado nos para-choques dos carros aqui na cidade. Como já disse um dos personagens da série Portlandia, que comecei a assistir no Netflix ontem (e estou adorando), Portland é o lugar “onde os jovens vão para se aposentar”. .Morar nessa cidade é como se transportar para a vida nos EUA dos anos 90. Um lugar completamente retrô, com política de conservação de edifícios históricos e proibição da instalação de megalojas (como Walmart) no perímetro urbano. Entre uma caminhada e outra, ainda encontramos teatros do tempo do cinema mudo. Ah, falando em cinema, foi a esquisitice de Portland que atriu e tem atraído grandes cineastas. Descobri nesta semana que a cidade serviu de cenário para os clássicos O Iluminado (Stanley Kubrick), e Um Estranho no Ninho (Milos Forman), dois dos meus filmes favoritos, ambos estrelados por Jack Nicholson. Também descobri que até o produtor de Simpsons nasceu neste lugar e foi nele que se inspirou para criar a cidade do desenho, escolhendo o nome de Springfield por esta ser uma cidade bem próxima de Portland.

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Hollywood Theater

E é justamente a esquisitice de Portland que encanta tanto as pessoas. Dá para imaginar o choque cultural de sair do limpo e certinho estado de Connecticut e vir parar aqui, né? Ainda estou tentando assimilar as diferenças, fazendo o possível para abrir a minha mente e enxergar toda a excentricidade pela qual a cidade é conhecida. Entre alguns fatos bizarros que marcam o dia a dia da cidade e viram piada na série de TV, estão os anúncios sobre um frango desaparecido com oferta de resgate que já foram uma vez distribuídos, ou o homem no meio da rua com a máscara do Darth Vader pedalando um uniciclo e tocando gaita, entre outras coisas…

3. Diversidade de cervejarias e culinária

Também já aprendi que Portland é muito conhecida pela grande quantidade de cervejarias e alambiques espalhados pela cidade, maioria artesanal, com grande quantidade de rótulos. Meus hosts são chegados numa cervejinha e manjam muito disso, então já tive aulas e mais aulas sobre o assunto. Diversos festivais ou eventos dedicado a cerveja ocorrem durante o ano, entre eles o Oregon Brewers, onde cerca de 80 cervejarias artesanais do mundo se reúnem oferecendo degustações pagas. Uma das cervejarias locais de Portland, Hopworks Urban Brewery, teve o seu chope eleito como o melhor do mundo (e foi a mesma cervejaria que criou a bicicleta que consegue transportar 2 barris de chopp, e ainda conta com uma bolsa térmica para carregar uma pizza tamanho família). Eu, que agora sou uma apreciadora-com-muita-moderação da cevada, achei muito interessante conhecer um pouco mais do assunto e descobrir que a cidade dispõe de grande playground “bebedrômico” para nós. O quesito gastronômico também não fica atrás quanto à diversidade, viu? No centro da cidade, encontramos vários Food Carts, carrinhos de comida, tipo trailer, das mais variadas nacionalidades. Eles são super tradicionais e aparentemente atraem muitos clientes. Já encontrei culinária do Vietnã, Grécia, Bósnia, Tailândia, Alemanha, Turquia… e muitos restaurantes japoneses e mexicanos.

4. Cidade dos livros

Se você é apaixonado por livros como eu, com certeza se perderia na Powell’s, considerada a maior livraria independente do mundo – só em Portland, há seis filiais. Eu fui na loja do centro, que é chamada “Cidade dos Livros”, por conta dos seus seis mil metros quadrados e mais de um milhão de livros novos e usados, organizados em 122 seções. Um verdadeiro labirinto que ocupa todo um quarteirão! Tive que pensar nos 11 livros que insisti em trazer comigo de CT e que pesaram bastante nas malas para me controlar e não comprar mais. Deslumbrante!

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Entrada da Powells no centro de Portland

5. Zona Franca, Taxa ZERO!

Já havia me acostumado a comprar tudo por um precinho um pouco mais salgado do que o da etiqueta quando morava em New England, por conta das famosas taxas. Quando cheguei aqui em Portland, descobrir que as taxas simplesmente NÃO EXISTEM! Ah, seu eu soubesse disso, não teria dado 500 preciosas doletinhas para trazer minhas tranqueiras… comprava tudo novo por aqui mesmo! Já vi calças jeans por $6 na ROSS. Ó dó de mim! Agora já era né, Dedéia está no projeto controla espaço e dinheirinho. Nada de compras em 2014!

6. Comportamento ultraliberal

Os moradores de Portland votam nos democratas, elegeram um prefeito assumidamente gay e mantêm clínicas de distribuição de Cannabis sativa com fins medicinais.

7. Paixão por artesanato

Aos fins de semana, músicos e artistas de rua animam os visitantes que circulam no maior mercado a céu aberto de trabalhos manuais dos Estados Unidos, conhecido como “Saturday Market”. Há de tudo um pouco: pinturas, esculturas, roupas e bijuterias, tipo a feirinha da República de São Paulo.

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8. Mt Hood

O maior símbolo de Portland é, sem dúvidas, o vulcão adormecido Mt Hood, ponto mais elevado do estado de Oregon, e onde encontramos uma das mais bem equipadas estações de esqui do noroeste do país, que tive a oportunidade de conhecer fim de semana passado. O caminho que percorremos até alcançar a estação de esqui é simplesmente FABULOSO. Tenho certeza que, até o momento, foi o lugar mais lindo que já visitei na minha vida. Programa de inverno imperdível para os moradores de Portland, pois fica a apenas 75km da cidade (levamos cerca de 1,5h dirigindo, apenas).

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No caminho pro Mt Hood Skibowl… Vista inacreditável!

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Um “close” do Mt Hood!

9.  Cidade das rosas (e pontes!)

Portland é conhecida como cidade das rosas desde em 1905, quando foram plantadas roseiras ao longo de trezentos quilômetros de ruas da cidade, tudo. por conta do clima e terreno privilegiados para a produção de flores (clima que Portland compartilha com a maioria das Ilhas Britânicas, grande parte da França, o norte da Itália e algumas áreas do Japão). O International Rose Test Garden, no Washington Park, é o mais antigo jardim do gênero (fundado em 1917), destinado a testar novas espécies de rosas, tem mais de sete mil roseiras que representam cerca de 550 variedades. Estou à espera da primavera para fazer a minha visita!

A cidade também é famosa por ter cerca de 11 grandes pontes que cruzam o Willamette River, como a linda St John’s Bridge da imagem abaixo.

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Sj John’s Bridge – Foto retirada da internet para ilustrar

Por hoje é só, gente! Post resumido e focado no meu aprendizado sobre a história da cidade. Estou bem sem coragem de falar da minha vida, o que não sei exatamente se é algo bom ou ruim. Como já disse, sigo na indecisão voltar pro BR ou ficar mais um tempo nos EUA… e meu prazo tá ficando cada vez mais aperto. Já entendi que o melhor remédio pra indecisão é um mix entre CORAGEM e RISCO, porque ficar medindo as consequências da escolha só dá um nó na cabeça, não é verdade? Enfim, decisões-mistérios do próximo capítulo… mal posso esperar pra descobrir no que vai dar rs

Beijos!

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4 thoughts on ““The Dream of the 90’s is Alive in Portland…” ♫

  1. Legal Deinha… gostei da sua inciativa e atitude! Apoio total e irrestrito, pois sei que és muito centrada e com muto juízo ! Boa sorte e ligue pra mim quando puderes… beijos com muita saudade! Te amo!

  2. Querida, queria eu ter metade da sua coragem! rsrs. Fica ai mais um pouco e aproveita mais essa fase tao boa da sua vida! Beijos. Te amo.

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