Um pouco da cultura judaica, da minha vida de estudante e dos últimos acontecimentos

Desde que cheguei aqui nos EUA, tenho aprendido bastante não apenas sobre a cultura americana, mas também sobre as tradições religiosas do Judaismo, bem como feriados, expressões e alguns rituais religiosos, tendo em vista que minha host mom é judaica (assim como o meu amigo Tommy e toda a família dele). West Hartford tem a maior concentração de judeus quando comparada a todas as outras cidades do estado de Connecticut – tanto que, a maioria das escolas entram em recesso nos feriados judaicos (as crianças ficam em casa e sobra tudo pra au pair, uma belezinha – só que não).

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Congregation Beth Israel – Sinagoga em West Hartford, CT

Aprendi que o primeiro mês do ano no calendário judaico (baseado nas fases da lua) coincide com setembro ou outubro do nosso calendário, que é quando o ciclo das festividades começa: primeiro vem o Rosh Hashaná – nome dado ao Ano Novo Judaico, e depois o Yom Kippur (Dia do Perdão), festividade mais sagrada e importante da religião, celebrado 10 dias após o Rosh Hashaná. O Yom Kippur é um dia de jejum e orações, com algumas proibições estranhas do tipo: não fazer sexo, não usar roupas ou sapatos de couro, não tomar banho ou passar desodorantes no corpo, não escovar os dentes (resumindo – dia da porcaria), etc, com o argumento de que, neste dia, devemos esquecer o corpo e dar prioridade à alma. Normalmente, os judeus jejuam desde a véspera da data até a noite seguinte, que é quando acontece a festa. Foi o que aconteceu aqui em casa: O Yom Kippur caiu neste último sábado e toda a família da host veio passar o dia na nossa casa. À noite, teve a celebração com comes e bebes, com alimentos leves (como frango e peixes).

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Minha princesinha pronta para a celebração do Yom Kippur

Um dos primeiros rituais judaicos que conheci quando cheguei aqui nos EUA foi o Bar Mitzvah (para os meninos, aos 13 anos de idade) e Bat Mitzvah (para as meninas, aos 12 anos de idade), que representa a iniciação da vida adulta para os judeus. De acordo com a tradição judaica, é a partir daí que as pessoas tornam-se totalmente responsáveis e prontas para canalizarem sua inclinação para o bem, para ser uma pessoa melhor. Eles fazem uma festa enorme para celebrar, com toda a família e todos os amigos, acompanhada por discursos das pessoas mais próximas do Bar/Bat Mitzvah, parabenizando-os por terem se tornado membros adultos da comunidade judaica. Eu já assisti parte da celebração Bar Mitzvah do Tommy (uma graça de pivetinho), que ele tem gravado em DVD, e até então não tinha a mínima ideia do que isso significava.Uma outra coisa que aprendi neste último domingo foi preparar sopa Matzah Ball. Eu já tinha conhecido através da minha tia Jô (olha você aqui de novo, tia!), mas não lembrava muito bem do sabor, porque experimentei quando era pequenininha. Só lembro que minha irmã odiava e, por essa razão, já havia alimentado um certo preconceito contra as bolinhas. rs

Mas experimentei de novo e amei. Eu e o Tommy resolvemos preparar a sopa para o almoço de domingo e é bem fácil de fazer. A receita leva ovos, água, farinha de matzah, óleo e sal.

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Preparando Matzah Ball Soup. Cortei a minha cara BUNITA de sono para não espantar vocês.

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Sopa pronta! Não parece, mas é bom 🙂

Obviamente existem milhões de outras tradições, as quais ainda não conheci, mas que provavelmente aprenderei futuramente. Talvez muita gente já saiba dessas coisinhas que eu escrevi, mas para mim foi algo completamente novo e achei interessante compartilhar. Para os conhecedores do assunto, me corrijam se eu tiver errada em algum aspecto, se falei alguma besteira. Escrevi com base no meu entendimento!

Estas últimas semanas têm sido bem complicadas para mim, principalmente a última. Os dias se arrastaram, estava CHEIA de trabalhos da universidade para fazer e, para piorar, minhas crianças estavam mais danadas que o normal. Acho que nunca comemorei tanto um sexta-feira, meu coração estava pulando de alegria – mesmo sabendo que teria que acordar cedíssimo para estudar no sábado. As aulas de Harvard são maravilhosas, não posso reclamar. É muito homework sim, mas tudo o que cada aluno lê e escreve é considerado em sala de aula. São muitas discussões sobre a política e economia dos EUA e sobre racismo e preconceitos em geral, por conta do aniversário de 50 anos da Marcha de Washington de 1963 – o movimento anti-racista com o famoso discurso “I Have a Dream”, de Martin Luther King. É um tema que está sendo muito abordado aqui nos EUA este ano, e as discussões giram em torno do que buscávamos naquela época e do que mudou nos dias de hoje – poucas coisas. Os problemas com baixos salários, pobreza, desemprego, desigualdade social e discriminação racial ainda existem aqui nos EUA (obviamente em menores proporções do que no Brasil) e os líderes que sobreviveram à toda a violência contra as manifestações da década de 60/70, como John Lewis, ainda estão engajados na luta pelos mesmo ideiais até hoje. Tem sido uma ótima oportunidade para jogar o Brasil na roda e comentar sobre os protestos que têm ocorrido recentemente.

Esta semana tive a mesma quantidade de homework, mas já consegui me organizar melhor para fazer tudo. Peguei toda e qualquer horinha livre que tive ontem para tentar fazer as 13 tarefas que já tenho para a próxima aula (um mix de leitura, com questões para responder, vocabulário/definições de palavras, resumos, etc) e estou quase terminando. Só falta escutar um discurso do Barack Obama realizado na Suécia agora no início de setembro e fazer uma pequena resenha sobre isso. E claro, continuar lendo um livro que tenho que terminar até dia 28 de setembro, com uma linguagem extremamente complicada. A própria professora, Dr. Brellemthin (os professores aqui só aceitam serem chamados de doutores rs), disse que a linguagem é um pouco complicada até para ela. Tenso! Tenho que preparar uma apresentação sobre o livro para o início de outubro. E como fica o meu curso de gestão na Universidade de St. Joseph? Um pouco abandonado! Procuro prestar MUITA atenção nas aulas e tentar fazer a lição de casa no mesmo dia, mas muitas vezes não consigo dar conta. Chego na sala de aula e dou a desculpa de que tive dificuldade para resolver os problemas, mas nem sequer tentei. Mas a professora é muito gente boa e me ajuda muito com todos aqueles cálculos loucos e com o bendito Excel, porque eu levanto a mão para perguntar as coisas a cada 10 segundos. O bom é que os professores apreciam isso! Só não sei até quando eu vou aguentar. Estou com uma dúvida imensa se continuo ou não neste curso de gestão. Já aluguei o livro por metade do valor original (200 obamas) e só posso devolver (e ser reembolsada) até o fim de setembro, o que quer dizer que PRECISO decidir logo! Ó céus! Acho que vou arriscar e continuar.

E onde fica a diversão no meio disso tudo? Acho que é por isso que estava meio tristonha nos últimos dias, ainda estava me readaptando à vida de estudo/trabalho. Mas aos poucos estou arranjando tempo e coragem para conciliar tudo isso com um pouco de divertimento. Semana passada fui à praia de Old Lyme com as amigas para dançar naquele bar de rock que já comentei aqui, aproveitando o restinhozinho do verão. Como de costume, levamos a bandeira do nosso Brasil e animamos aquele bar como ninguém! A banda sempre dá o destaque no fim do show “thank you so much, brazilians!”. E neste último fim de semana fui para uma balada em NYC com o Tommy e outros dois amigos dele, com os quais sempre saímos, e foi muito bom! Estava caindo de sono, mas tomei um energético e resolvi o problema, fiquei alegre de novo.

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The Pavillion Bar em Old Lyme com as melhores! Ps. Vocalista da banda com a minha bandeira do Brasil na cabeça. HAHA

É… esses fds gostosinhos na praia chegaram ao fim! Agora o outono se aproxima e já estou me assustando com o frio! Hoje a temperatura está entre 5ºC e 10ºC, e é esta a média para o resto da semana! #TODASCHORA

Agora estou me preparando para voltar a trabalhar, meu lindo e curto break matinal já está no fim. Vamos lá brincar com meus monstrinhos e fazer mágica para a minha baby comer pela segunda vez (ela passa um zíper na boca e não abre nem para chorar quando eu me aproximo com a colher de papinha). Ela não aguenta mais essas papinhas prontas! A menina já tem nove meses (nossa, já? minha bolinha tá crescendo!) e só come isso (além da amamentação). A coitada nunca experimentou outra coisa na vida… Por isso que tem o intestino constipado e passa dias com a barriga inchada, parecendo que engoliu uma melancia. No Brasil, bebês desta idade já comem frutinhas, pão, tomam suco, entre outras coisas, né? Já tentei falar com os pais, mas eles não me escutam! OK, né! Oremos.

Por hoje é só!!! Beijos gente, até o próximo post!

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